Ratatouille: simples assim!

Eu sou do sol. Eu vim do sol e apesar de eu não ficar estirada quarando no sol igual a carne seca, eu sigo o sol. Assim, onde o sol está é pra lá que eu vou! E quando chegam outono e inverno, no Brasil, confesso: são amenos, mas eu sofro muito. E sofro um pouco mais com vegetais crus. Nos dias mais frios, a vontade é só de comer… MASSA!!! Mas calma, lá! Foca na dieta. Foca na saúde, foca num melhor funcionamento do seu organismo. Nada contra massas. Amo. Mas, lutemos por uma alimentação com mais vitaminas e fibras.

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Então, um dos pratos que eu costumo fazer pra saciar meu desejo por calor é o ratatouille. Um prato tipicamente francês, da região de Nice e da Provence, e que tem similares em toda a região do Mediterrâneo, na Espanha, Itália, Grécia, Turquia, Hungria, Bulgária. Em todos estes lugares encontramos suas versões muito parecidas com a francesa, mas com pequenas variações. E são variações também próximas daquela que consagrou o prato mundialmente, através da animação de mesmo nome (Ratatouille, 2007).

Na verdade, o prato do filme é um outro prato criado por um cozinheiro francês,  Michel Guérard, que foi popularizado por outro cozinheiro americano, Thomas Keller, e que tem o nome de confit byaldi, que por sua vez tem origem em um prato turco que contém berinjelas, o Iman bayildi. Dizem que o confit byaldi é a versão contemporânea e sofisticada do ratatouille.

A origem do nome ratatouille também não tem relação alguma com ratos. A literatura e dicionários provençais apontam o idioma l’occitan, uma antiga língua romana e concorrente do latim. Alguém já ouviu a expressão da região do Langue d’oc? Pois é, esta língua que dominava a região espanhola de L’Aran, o sul da França (ao sul do rio Loire), Provence, Mônaco, e alguns vales no Piemonte, Líguria e Guardia Piemonte, na Itália.

Simplificando bastante e trocando em miúdos, o prefixo “rata” em l’occitan deu origem a palavra ratatolha. Esta por sua vez significava um ragut de cenouras, batatas e outros legumes, ou seja, picados, que junto com miolo de pão formavam a comida rápida preparada para os militares em campanha. Já ao acrescentarmos o prefixo diminutivo francês “tat” mais o verbo em francês “touiller” (misturar, mexer) chegamos a conclusão de que estaria mais para um mexidinho de legumes. Ou seja, nada, nada mesmo, a ver com Rémy o ratinho chef, que cativou o mundo.

E como fazer?  Como servir? De várias maneiras, frio ou quente. Prato principal, acompanhamento ou entradinha. Na cozinha francesa clássica e ortodoxa, os legumes, somente berinjelas e tomates podem ser picados em cubos ou cortados em rodelas, e cozidos separadamente um a um. Depois misturados com cebolas, alhos, azeite de oliva e ervas finas da Provence. Em alguns preparos, os vegetais são postos diretamente na brasa para ajudar a retirar suas cascas e deixar um gostinho de defumado, depois são cozidos. Na Espanha basca se acrescentam ovos ou pimentões, na Itália, também pimentões.

Como eu vivo no Brasil, prezo por uma vida mais simples e mais saudável, trato de fazer o prato de um modo simplificado que combina a técnica francesa, e os ingredientes e se aproxima mais do confit byaldi. Além disso, tenho pouco tempo para preparar minhas refeições. Mas, pra mim eu sigo jurando que minha receita é um “ratatouille”. E você daqui pra frente irá perpetuar minha receita, combinado?

Enfim, vamos lá fazer a receita simples, simplérrima do meu ratatouille. A prova de que a cozinha francesa não é só feita de manteiga, carne de caça e gordura. E pode ser caseira, por vezes vegana, muito saudável e saborosa.

Bon appétit!

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Ratatouille
Rendimento: 4 pessoas     |     Tempo de preparo: 40 minutos
INGREDIENTES
  • 1 berinjela grande
  • 1 abobrinha grande
  • 2 tomates
  • 6 dentes de alho
  • azeite
  • ervas finas de Provence
  • sal a gosto
  • pimenta do reino a gosto
MODO DE PREPARO
  1. Escolha uma berinjela, abobrinha e tomates que tenham diâmetros parecidos ou proporcionais.
  2. Corte os ingredientes em rodela.
  3. Unte o fundo e as bordas de um refratário redondo com 20 cm de diâmetro com bastante azeite.
  4. Disponha as rodelas dos vegetais intercalando berinjelas, abobrinhas e tomates.
  5. Regue os vegetais com mais azeite.
  6. Polvilhe sal e pimenta a gosto.
  7. Salpique as ervas para finalizar
  8. Cubra com papel manteiga e aperte as laterais fazendo pequenas orelhas e girando as pontas no papel.
  9. Asse em forno preaquecido a 230˚C por 20 minutos coberto com o papel.
  10. Retire o papel e continue o processo até que os vegetais fiquem levemente dourados, mas não ressecados.

Receita de Leticia Amaral
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